Guia completo de custos, etapas e fatores que impactam o investimento
Uma das primeiras perguntas de qualquer investidor, empreendedor ou proprietário de área interessado em uma Central Geradora Hidrelétrica ou em uma Pequena Central Hidrelétrica (CGH/PCH) é direta: quanto custa construir uma CGH/PCH no Brasil?
A resposta tecnicamente correta é: depende. Diferentemente de projetos padronizados, como usinas solares fotovoltaicas, uma CGH/PCH é uma obra de engenharia sob medida. Cada rio, cada terreno e cada contexto regulatório impõem condições próprias que alteram significativamente o nível de investimento necessário.
Ainda assim, é totalmente possível compreender como se forma o custo de uma CGH/PCH, quais são os principais componentes do orçamento, onde estão os maiores riscos financeiros e quais decisões técnicas impactam diretamente a viabilidade econômica do projeto.
Neste guia completo, você vai entender:
- Por que não existe um “preço padrão” para uma CGH/PCH;
- Quais fatores mais pesam no investimento;
- Como os custos normalmente se distribuem;
- Quais despesas continuam após a entrada em operação;
- Como esses elementos se conectam ao retorno financeiro do ativo.
O que é uma CGH/PCH e por que seu custo varia tanto?
CGH/PCH é a sigla para Central Geradora Hidrelétrica e Pequena Central Hidrelétrica, dois tipos de usinas hidrelétricas de pequeno e médio porte, conforme classificação da ANEEL.
As CGHs possuem potência instalada de até 5 MW.
As PCHs possuem potência superior a 5 MW e até 30 MW.
Embora tenham portes diferentes, CGHs e PCHs operam sob o mesmo princípio físico — o aproveitamento da energia hidráulica para movimentar uma turbina e gerar energia elétrica — e compartilham, em grande parte, as mesmas lógicas de projeto, implantação, operação e manutenção, porém, a forma como isso é implementado muda completamente de um projeto para outro.
Isso ocorre porque cada uma depende diretamente de:
- Vazão disponível do rio;
- Altura de queda (desnível);
- Geometria do terreno;
- Distância entre a tomada d’água e a casa de força;
- Proximidade da rede elétrica;
- Condições ambientais e fundiárias.
Essas variáveis fazem com que dois projetos com a mesma potência instalada possam ter custos radicalmente diferentes.
Existe um “custo padrão” para uma CGH/PCH?
Não. E essa é uma das principais armadilhas conceituais para quem está começando a avaliar esse tipo de investimento.
Uma CGH ou PCH não é um produto de prateleira. Ela é um projeto de engenharia civil, hidráulica, mecânica e elétrica integrado, construído sob medida para um determinado local.
Por isso, qualquer tentativa de estabelecer um valor fixo por megawatt, sem considerar as condições específicas do sítio, leva a estimativas imprecisas e, muitas vezes, a decisões erradas.
O investimento total em uma CGH/PCH varia fortemente em função de:
- Complexidade das obras civis;
- Tipo de turbina necessário;
- Nível de automação e controle;
- Distância até o ponto de conexão elétrica;
- Exigências ambientais locais;
- Estratégia de operação e manutenção.
Principais fatores que influenciam o custo de uma CGH e PCH
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Condições hidrológicas do rio
A hidrologia é o coração de qualquer projeto hidrelétrico.
A vazão média, a vazão mínima e a sazonalidade do regime de chuvas determinam:
- A potência viável da usina;
- O tipo de turbina a ser utilizado;
- O volume de água que precisa ser conduzido;
- A capacidade real de geração ao longo do ano.
Erros nessa etapa costumam ser fatais para a viabilidade econômica do projeto. Estudos hidrológicos mal feitos levam a gerar menos energia do que o previsto, comprometendo toda a lógica financeira do investimento.
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Altura de queda e arranjo hidráulico
A altura de queda (diferença de nível entre a tomada d’água e a casa de força) influencia diretamente:
- O tipo de turbina;
- O diâmetro e o comprimento do conduto forçado;
- A potência extraível da água.
Quedas baixas exigem grandes vazões e estruturas maiores. Quedas altas permitem turbinas mais compactas, mas exigem condutos forçados mais robustos e caros.
O arranjo hidráulico escolhido pode reduzir ou multiplicar o custo do projeto.
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Obras civis
As obras civis normalmente representam a maior parcela do investimento total em uma CGH ou PCH.
Elas incluem:
- Tomada d’água;
- Barramento ou soleira;
- Canal de adução;
- Conduto forçado;
- Casa de força;
- Estruturas de restituição da água ao rio.
Terrenos rochosos, solos instáveis, necessidade de grandes volumes de escavação e acessos difíceis encarecem significativamente essa etapa.
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Equipamentos eletromecânicos
Os principais equipamentos são:
- Turbina hidráulica;
- Gerador elétrico;
- Sistemas de excitação;
- Painéis elétricos;
- Sistemas de proteção e controle;
- Transformadores.
O custo desses itens varia conforme:
- Tipo de turbina (Kaplan, Francis, Pelton);
- Potência unitária;
- Grau de automação;
- Procedência dos equipamentos;
- Nível de redundância.
Equipamentos mais baratos podem comprometer a confiabilidade e aumentar o custo de manutenção no longo prazo.
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Conexão ao sistema elétrico
Toda Central Geradora Hidrelétrica (CGH) e Pequena Geradora Hidrelétrica (PCH) precisa se conectar à rede elétrica.
Essa etapa envolve:
- Subestação elevadora;
- Linha de conexão até a rede;
- Estudos de acesso ao sistema;
- Adequações exigidas pela concessionária local.
Quanto maior a distância até o ponto de conexão, maior o impacto financeiro dessa etapa.
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Licenciamento ambiental e outorga
Mesmo sendo de pequeno porte, uma CGH e PCH exige:
- Estudos ambientais;
- Relatórios técnicos;
- Consultorias especializadas;
- Atendimento a condicionantes;
- Processos de outorga junto à ANEEL.
A complexidade ambiental da região pode tornar essa fase longa e imprevisível.
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Engenharia, projetos e gestão
Incluem:
- Estudos hidrológicos;
- Projeto básico e executivo;
- Gerenciamento da obra;
- Supervisão técnica;
- Comissionamento.
Economizar nessa etapa costuma gerar retrabalho, atrasos e perda de eficiência.
Como o custo de uma CGH e PCH normalmente se distribui?
Embora cada projeto seja único, a estrutura típica de investimento segue esta lógica:
- Obras civis: maior parcela do orçamento;
- Equipamentos eletromecânicos: segunda maior parcela;
- Conexão elétrica: parcela altamente variável;
- Licenciamento e projetos: parcela técnica essencial;
- Contingência: reserva para imprevistos;
Ignorar a contingência é um dos erros mais comuns nesses projetos.
Custos após a entrada em operação (OPEX)
Além do investimento inicial, toda CGH e PCH possui custos recorrentes:
- Operação e manutenção (O&M);
- Seguro patrimonial;
- Taxas regulatórias;
- Manutenções preventivas e corretivas;
- Monitoramento e telecomunicações.
Uma estratégia de operação remota e manutenção preditiva pode reduzir significativamente esses custos.
Em quanto tempo uma CGH/PCH costuma se pagar?
O tempo de retorno do investimento (payback) varia conforme:
- Fator de capacidade da usina;
- Regime hidrológico;
- Eficiência operacional;
- Estrutura de financiamento;
- Modelo de comercialização da energia.
Projetos bem estruturados apresentam maior previsibilidade de caixa.
Vale a pena investir em CGH/PCH hoje?
Sim — desde que o projeto seja bem dimensionado e bem operado.
Os principais motivos:
- Fonte estável e previsível;
- Longa vida útil;
- Ativo com valor residual;
- Demanda crescente por ativos ESG.
O maior risco não está na tecnologia, mas na execução.
Construir uma CGH/PCH exige planejamento técnico, visão financeira e leitura clara do contexto regulatório.
Mais do que perguntar “quanto custa uma CGH/PCH?”, a pergunta certa é:
Quanto custa errar no projeto ou operar mal uma CGH/PCH por 30 ou 40 anos?
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